Nos primeiros anos, a articulação mais estudada foi a do joelho, com o tratamento de diversas lesões, como por exemplo as roturas dos meniscos e ligamentos cruzados. Pouco depois veio o desenvolvimento da artroscopia do ombro, e o aperfeiçoamento de técnicas para tratamento de doenças como instabilidade articular e lesões do manguito rotador. Hoje em dia, com o desenvolvimento de instrumentos de diferentes comprimentos e calibres, conseguimos acessar e tratar as mais diversas articulações, como punho, cotovelo, tornozelo, dentre outras.


A artroscopia do quadril é a principal ferramenta para a cirurgia preservadora do quadril, ou seja, a cirurgia que aborda e trata a causa da dor do paciente com o objetivo de preservar a articulação original, sem necessidade de substituí-la com uma artroplastia (prótese). Por isso é uma cirurgia pouco invasiva, de recuperação mais rápida.


O objetivo da artroscopia do quadril é identificar e remover a causa da dor do quadril, para assim permitir que o quadril natural funcione bem pelo maior tempo possível, desacelerando o processo de artrose (desgaste) do quadril e adiando ou evitando a realização de uma artroplastia (prótese).
As principais patologias (doenças) que podem ser tratados por artroscopia incluem:

- Impacto femoroacetabular,
- Lesões da cartilagem e do labrum
- Remoção de corpos livres (fragmentos de osso, cartilagem),
- Fraturas intra-articulares do quadril
- Lesões dos tendões glúteos,
- Bursite trocantérica,
- Ressaltos e estalidos do quadril,     
- Sinovites,
​ - Artrite séptica (infecção).

RESULTADOS  Por ser uma cirurgia minimamente invasiva, a artroscopia permite o retorno pleno às atividades diárias em um prazo médio de 3 a 6 semanas, a depender do tipo de lesão diagnosticada. Em comparação com cirurgias abertas do quadril, a artroscopia costuma permitir uma internação mais breve, menor incidência de complicações, menos dor e reabilitação mais precoce. Na maioria dos pacientes, o retorno à atividade esportiva sem restrições é o objetivo. Após serem respeitados os tempos de cicatrização dos tecidos lesados, os pacientes costumam recuperar a mobilidade plena da articulação, muitas vezes até conseguindo aumento dessa mobilidade. Infelizmente, isso não é possível para 100% dos pacientes: nos casos em que o dano à cartilagem já está muito avançado, o benefício da artroscopia é menor. Nesses casos, a cirurgia de prótese poderá ser considerada. Durante a avaliação pré-operatória, seu médico poderá analisar seus exames e fornecer uma expectativa realista quanto às chances de preservação da articulação.
INDICAÇÕES  Abaixo uma breve descrição das principais indicações de artroscopia do quadril.

Impacto femoroacetabular
Essa é a principal indicação para a cirurgia de artroscopia do quadril. É uma situação em que existe um conflito mecânico entre o colo do fêmur e o rebordo do acetábulo (taça do quadril). Esse conflito acaba causando danos progressivos à cartilagem do quadril, o que pode causar dor progressiva e perda de mobilidade da articulação, além de ser uma lesão precursora da artrose (desgaste) do quadril. Para saber mais sobre impacto femoroacetabular, CLIQUE AQUI.

Dor lateral do quadril, bursite trocantérica e lesão dos tendões glúteos

A dor na região lateral do quadril e coxa é provavelmente a queixa mais comum no consultório do especialista em cirurgia do quadril. Essa dor costuma ser causada por irritação e inflamação da região do grande trocanter (saliência óssea na parte lateral superior da coxa). Nesses casos, podem haver graus variáveis de inflamação da bursa (bursite), assim como pode haver tendinite e tendinopatia (inflamação e degeneração) dos tendões glúteos médio e mínimo, que são importantes músculos para a movimentação do quadril. Na maioria dos casos, o tratamento inicial é clínico (sem cirurgia), e inclui mudanças de hábitos de vida, perda de peso, exercícios de fortalecimento da musculatura ao redor da bacia. Nas crises agudas de dor, medicamentos anti-inflamatórios podem ser úteis. Em casos de dor persistente, o procedimento por vídeo-artroscopia pode ser indicado para realização de desbridamento da bursa inflamada e reparo dos tendões lesados.

​Trauma e fraturas
                                   

Traumas de alta energia (acidente de trânsito, queda de altura) podem levar ao deslocamento da articulação do quadril, que pode estar associada a fraturas do acetábulo (a taça onde a cabeça femoral se encaixa). Essas lesões costumam causar graves lesões de ligamentos, cartilagem e labrum. Quando a fratura é desviada, a cirurgia aberta pode ser indicada para correção do desvio ósseo e fixação com implantes metálicos. Quando a fratura é pouco desviada, o procedimento por artroscopia pode ser indicado para irrigar e lavar a articulação, assim como remover fragmentos livres de osso e cartilagem que podem ficar aprisionados no interior do quadril.

​Doenças sinoviais

​Condromatose sinovial e sinovite vilonodular pigmentada são as doenças sinoviais mais comuns no quadril. Nesses casos, existe uma inflamação exacerbada do tecido sinovial (revestimento interno da articulação), podendo cursar com formação e acúmulo de fragmentos livres de cartilagem no interior da articulação. Através da artroscopia, é possível limpar a articulação afetada e remover os fragmentos livres, com o objetivo de melhorar a dor e mobilidade do quadril.

Tomografia computadorizada evidencia fragmento ósseo livre dentro do quadril após fratura.

Defeito de cartilagem da cabeça femoral, com exposição do osso subcondral

Através da artroscopia é possível remover fragmentos de tecidos danificados, suavizar e regularizar proeminências ósseas anormais que causam dor, reparar lesões do labrum (a fibrocartilagem que reveste o rebordo do quadril). A evolução do entendimento da biomecânica e das patologias do quadril tem feito com que muitos pacientes se beneficiem dessa técnica, que permite a preservação do quadril natural. A evolução contínua das técnicas e dos instrumentos utilizados continuam a reduzir cada vez mais os riscos de complicações.

Artroscopia do Quadril

Há pelo menos 30 anos, a vídeo-artroscopia tem se estabelecido como uma poderosa arma no arsenal do cirurgião ortopedista. A artroscopia é uma técnica para cirurgia minimamente invasiva. Através dela, o cirurgião não precisa ver a articulação diretamente com seus olhos. Ele utiliza pequenos orifícios na pele, por onde insere um dispositivo de fibra ótica (artroscópio) conectado a um equipamento de vídeo de alta resolução, através do qual o cirurgião pode acessar as diferentes partes da articulação e inserir instrumentos para manipular e tratar os tecidos lesados.