EXAMES


Na maioria das vezes, o diagnóstico da “síndrome dolorosa trocantérica” pode ser estabelecido através de uma adequada entrevista médica e exame físico. Radiografias são importantes para descartar alterações ósseas e articulares, como a artrose do quadril e alterações na coluna. A ultrassonografia é capaz de evidenciar alterações em tecidos moles, como as bursas e os tendões da região. No entanto, o melhor exame nesses casos é a ressonância magnética: através dela é possível identificar sinais de tendinose, tendinite, extensão do processo inflamatório, assim como identificar rupturas dos tendões da região.

CAUSAS


De maneira geral, a dor trocantérica é agravada por pressão direta e movimentação exagerada na região. O início da dor nem sempre ocorre após um evento traumático específico, ou seja, a dor se instala de maneira gradativa. A maioria dos casos de dor trocantérica têm sinais degenerativos (tendinose) dos tendões do glúteo médio e mínimo, e isso é causada por período prolongado de sedentarismo e ganho progressivo de peso. O problema é mais comum em mulheres, e a tendência que o sexo feminino tem de acumular gordura na região parece contribuir para uma fricção adicional sobre esses tendões.

A dor trocantérica também pode se iniciar em pacientes com alteração no padrão normal da caminhada devido a outros problemas, como dores na coluna lombar, diferença de comprimento entre os membros, artrose no joelho ou quadril, entorse do tornozelo, etc. Nesses casos, ocorre sobrecarga de um dos quadris, desencadeando então a bursite trocantérica.

No entanto, a bursa não é a única fonte de dor nessa região. A dor pode ser proveniente de degeneração dos tendões glúteos (tendinose), inflamação desses tendões (tendinite), acúmulo anormal de cálcio (tendinite calcária) e até mesmo ruptura desses tendões. Por isso, o nome mais adequado a ser utilizado é “síndrome da dor trocantérica”. Por fim, vale ressaltar que outros tipos de problemas podem causar dor nessa região, dificultando o diagnóstico: artrose do quadril, ressaltos, distensões musculares diversas, patologias lombares são alguns exemplos.

Sendo assim, o diagnóstico exato frequentemente requer investigação detalhada com minucioso exame físico e exames complementares de imagem. Atribuir o problema a uma “simples bursite”, sem investigação e tratamento adequados, é um erro frequente que retarda a resolução do problema.

A região trocantérica é sede frequente de dor ao redor do quadril. O trocanter maior é uma proeminência óssea que fica na parte superior e lateral do fêmur. A causa mais comum de dor nessa região é a inflamação de uma das bursas – daí vem o nome “bursite”. Trata-se de uma das queixas mais comuns no consultório ortopédico.


Mas o que é uma bursa? Bursa é um tipo de tecido presente em diversas partes do corpo humano. Sua função é amortecer e suavizar o contato entre estruturas que tendem a ter impacto e/ou fricção entre si. Na região trocantérica, é comum haver fricção entre a banda iliotibial e o trocanter maior, o que pode causar irritação dos tendões glúteo médio e mínimo, localizados na região. A fricção pode causar irritação e inflamação da bursa que envolve esses tendões, o que chamamos então de bursite.

BURSITE TROCANTÉRICA e SÍNDROME DA DOR TROCANTÉRICA

TRATAMENTO


O tratamento clínico (sem cirurgia) costuma ter sucesso na maioria dos pacientes. Medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia específica são a linha de tratamento inicial e são importantes para tirar o paciente da “crise de dor”.

Na maioria dos casos, o tratamento da obesidade e fortalecimento da musculatura do quadril e bacia são importantes no alívio duradouro dos sintomas, de maneira a evitar o uso prolongado e abusivo de medicamentos, além de prevenir novas crises de dor.

Casos que não melhoram podem se beneficiar de infiltrações – injeção de medicamentos diretamente na região dolorosa. É importante salientar que a infiltração não oferece alívio se não for realizada no local correto, por profissional habilitado. Além disso, a realização de múltiplas infiltrações pode causar aumento da sensibilidade local e degeneração dos tendões, agravado o problema no longo prazo.

Para casos refratários, que não melhoram com as medidas acima, temos a opção do tratamento por vídeo-artroscopia. Trata-se de técnica minimamente invasiva, através da qual é possível desbridar (limpar e remover) os tecidos inflamados. Além disso, através dessa técnica é possível identificar tendões rompidos e também repará-los através de técnicas específicas de sutura.

Para uma avaliação detalhada de cada caso e escolha personalizada do tratamento, a consulta médica individual é fundamental. 


SINTOMAS


O sintoma típico é dor na região lateral do quadril afetado. A dor piora após caminhada prolongada e costuma piorar na posição sentada. É comum haver sensibilidade exagerada ao toque na região e o paciente não consegue deitar sobre o lado afetado. Por esses motivos, esse problema pode perturbar a qualidade do sono, dificultar a realização de atividades físicas e prejudicar a qualidade de vida.